OS MEIOS DE ADOECIMENTO E CURA NA CULTURA AFRO-BRASILEIRA
Vinícius Braga Martins da Costa - Sociedade Brasileira de Etnopsiquiatria
A etnopsiquiatria ou psiquiatria cultural pode ser um lugar privilegiado para a compreensão do ser humano e estudo das variadas formas de adoecimento, suas manifestações e tratamentos, em diferentes culturas .Através de sua interdisciplinaridade. ela tem como objetivo a análise de todos os sistemas terapêuticos ,quer se denominem científicos, quer se apresentem como específicos de uma comunidade étnica ,religiosa ou social.
O psiquismo humano sobre influências importantes do meio cultural em que está inserido. Estudos etnopsicopatológicos são insuficientes na compreensão desta interação.
A psiquiatria é um ramo bastante jovem da Medicina, só há aproximadamente 150 anos adquiriu caráter científico (OMS 1961). “A psiquiatria não é simplesmente mais uma especialidade médica, mas um ramo antropológico ou humanista por excelência da Medicina” (FERNANDEZ, 1987).
Como técnica ou prática médica, os psiquiatras utilizam-se de conhecimentos provenientes de outras áreas, fazendo fronteiras com disciplinas como a Medicina Interna, a Neurologia, a Psicologia, a Filosofia, a Antropologia, a Sociologia, dentre outras. Nesse sentido, o campo de estudos da Psiquiatria abrange os aspectos mitológico, médico, místico, neurológico, social e psicológico do ser humano (WALMSLEY,1988).
Considerando essas interlocuções entre a Psiquiatria e outras formas de conhecimento e tendo em vista ainda o ser humano em seus aspectos biológicos, psicológicos, ético-filosóficos e sociológico-culturais, há que se pensar contemporaneamente em um novo paradigma para os estudos psiquiátricos em questão, o qual contemple todos estes aspectos.
Para Alonso Fernandez (1987) “a psiquiatria é tributária de uma metodologia mista, compreensiva e explicativa, em todos os seus âmbitos de atuação, se bem que uns têm mais afinidade com a via científico-natural, e outros com a via histórico-cultural”. Contrariamente a essa visão da Psiquiatria, ressalta-se que, pelo sistema de crenças recorrentes neste final de século, a mente ainda recebe um tratamento mecanicista que a reduz a um produto de reações reuronais complexas. Trata-se, enfim, de um sistema monista que não leva em conta toda a rede em que a mente está implicada.
Não obstante o modelo mecanicista de homem-mente-universo, indubitavelmente responsável por enormes avanços da ciência — encontrar aplicabilidade na práxis psiquiátrica, há outros modelos a serem considerados, principalmente se se leva em conta a abertura teórica possibilitada por teorias como a da Relatividade e a da Física Quântica.
Segundo Paulo Dalgalarrondo, para abordarmos os fenômenos de adoecimentos em culturas diferentes das do “branco ocidental”, precisamos voltar nossa atenção não só para a dimensão biológica e psicológica do distúrbio mental, mas estarmos também abertos ao universo cultural específico, no qual o portador desses distúrbios se acha inserido. Ter esse fator em vista é fundamental para o direcionamento e a ressignificação de toda a experiência pessoal desse indivíduo.
A Psiquiatria tradicional considera que estar o indivíduo inserido em uma cultura central ou em uma cultura periférica é fator secundário para a sua avaliação diagnóstica, isto é, segundo essa perspectiva, o adoecer psíquico é universal, não sendo, portanto, fundamental o contexto e as condições em que é gerado o processo de significação do sujeito e, como conseqüência, a sua saúde ou o seu adoecer psíquico.
Segundo Tobie Nathan, professor de psicologia clínica do Centro Georges Devereux,Universidade de Paris VIII, a etnopsiquiatria em sua interdisciplinaridade tem por objetivo a análise de todos os sistemas terapêuticos, sem exclusividade nem hierarquia, quer se denominem “científicos”,quer se apresentem como específicos de uma comunidade étnica,religiosa ou social. Ela não toma partido na disputa de adversários. Ao contrário, ela se empenha na validade universal dos conceitos psicanalíticos,das entidades nosográficas da psiquiatria, dos conceitos oriundos das pesquisas em psicologia cognitiva e os protege de um relativismo cultural. Ela se contenta em inventar métodos destinados a testar teorias das realidades culturais e clinicas que ela observa.
O que pretendo demonstrar neste trabalho são as possibilidades de acréscimo à compreensão do ser humano em suas várias dimensões já citadas. Para tanto, pretendo recorrer às formas de entendimento que a cultura afro-brasileira possui — a partir de suas crenças e vivências — a respeito da questão saúde/doença.
A profusão de símbolos presentes na Cultura Afro-brasileira tece uma rede simbólica complexa que permite à psiquê vivenciar-se de uma forma plena, proporcionando uma rica visão de mundo, dinâmica e globalizante. Nessa visão, nenhum aspecto fenomênico fica desapercebido. No caso religioso do Candomblé, há correspondências entre orixás, cores, dias de semana, animais, plantas, minerais, comportamentos, sonhos, cosmogênese, espiritualidade ... O cosmos inteiro recebe significação.
Gerar símbolos é gerar vida, energia, movimento, axé (força). A potência do símbolo, o sentido sagrado, as consagrações iniciáticas das sociedades pré-modernas são elementos a que o ocidente aspira cada vez mais abertamente e procura ressuscitar.
Para entendermos a cultura afro-brasileira em seus aspectos de vida, conceitos saúde-doença, mitos, vivências, espiritualidade, devemos considerar a problemática psiquiátrica individual. Para Alonso Fernandez, a peculiaridade existencial de cada enfermo só pode ser inteiramente entendida e introjetada pelo médico que assume uma atitude antropológica. Porém, esta atitude não exclui métodos psicológico-fenomenológico, científico-natural ou biológico.
Para Dalgalarrondo, na Psiquiatria Cultural ou etnopsiquiatria nenhum conceito, categoria diagnóstica ou forma de tratamento podem ser tidos a priori como absolutamente naturais ou como universais. Desta forma, todos os elementos conceituais devem passar pelo crivo de uma análise rigorosa.
É neste ponto que a própria história dos conceitos, das noções e categorias em etnopsiquiatria ganham importância. As concepções não são apenas “construídas” culturalmente, mas geradas e ratificadas historicamente, e esta história precisa ser re-examinada.
Na história da psicopatologia etnopsiquiátrica, os negros, índios ou nativos (selvagens) são estudados por pesquisadores que não conheciam suficientemente a sua linguagem, valores e símbolos culturais. Essa limitação foi muitas vezes responsável por visões deturpadas. “A lente que o branco civilizado utiliza deforma profundamente seu objeto tanto por necessidades e interesses políticos e ideológicos como pela pregnância de noções étnicas profundamente arraigadas no pensamento ocidental” (Dalgalarrondo). Em vista disso, os fenômenos psíquicos das chamadas culturas “primitivas” permanecem grosseiramente generalizados ou mesmo desconhecidos.
Muito freqüentemente, nós, profissionais que julgamos imprescindível o conhecimento da dimensão cultural e noológica dos seres humanos que iremos tratar, optamos necessariamente abordar o homem como um todo. Como resposta a essa postura, somos pejorativamente tratados como simplistas, levianos ou despreparados para sustentar uma técnica científica.
Entretanto, é importante considerar que as implicações da via histórico-cultural na dimensão científico natural fazem parte do trabalho daqueles que se propõem a uma atitude antropológica em face da abordagem do ser humano, o que exige não só uma entrega profissional, mas também uma entrega existencial.
É ainda importante salientar que a escolha pessoal ou a afinidade de um profissional ligado às dimensões culturais se devem a identificações ideológicas pessoais desse profissional. Nesse sentido, questões psicopatológicas importantes se impõem, pois qualquer sistema científico classificatório é dependente de princípios teóricos (paradigmas ou crenças vigentes). Eu questiono qual psiquiatra tem absoluta convicção de afirmar que Jesus Cristo seria portador de distúrbio paranóide e que Deus seria apenas uma criação da fantasia daqueles que buscam substituir seu desejo de uma paternidade.
Classificar todos os sistemas de crença espiritual da humanidade como distúrbios do pensamento, segundo advogam alguns reducionistas, é limitar o avanço da Psiquiatria. A abordagem “não científica” de fenômenos psíquicos é quase sempre pouco valorizada no terreno em questão. A abordagem religiosa, por exemplo, foi gradativamente perdendo prestígio à proporção que a ciência desenvolveu explicações “mais científicas” para os fenômenos da “mente”. Assim também os fenômenos psíquicos manifestos sob forma de fenômenos religiosos tendem a ser ignorados pela Psiquiatria. Ancorada na Filosofia da Religião proposta por Richard Schaeffer (1992), Marília Ancona-Lopez (1997) postula: “A religião foi considerada pela ciência como um domínio de conhecimento pré-científico e irracional que tenderia a desaparecer conforme a ciência fosse encontrando as explicações cabíveis aos fenômenos inicialmente considerados religiosos”. Enfim, por que não nos prepararmos para compreender as várias dimensões do psiquismo humano para melhor lidarmos com elas?
Se nós, psiquiatras, com as bases de conhecimento que possuímos nos negarmos a este propósito, amparados em posturas materialistas e pré-concebidas, estaremos deixando um campo livre para a exploração e mistificação que prolifera cada vez mais ante o “mal estar da civilização”. A menos que consigamos superar o determinismo que nos impele ao império do prazer e do poder enquanto objetivos a serem alcançados, não teremos uma abertura para o transcendente. Segundo Viktor E. Frankl, é aí que devemos buscar os valores e sentido espiritual, para então estarmos mais aptos a entender nossos pacientes em seus anseios. Na verdade, é preciso conciliar essa busca aos avanços obtidos pela ciência e pela Psicanálise, segundo a qual o indivíduo deve colocar-se como produtor e responsável de seu desejo, não se alienando no gozo (desejo) do outro.
Considerando uma abordagem científica que contemple o transcendente, qual campo das ciências humanas estaria mais preparado que a Psiquiatria para discriminar quando há um distúrbio patológico psíquico ou simplesmente percepções e sentimento referentes à evolução espiritual? (Neurose psicogênica X noogênica – Frankl).
Passo a descrever, a partir das minhas pesquisas no candomblé, iniciadas há 15 anos, os conceitos mais importantes no que se refere ao aspecto saúde-doença neste sistema de crenças. Ressalto que cabe a cada um discernir os limites onde terminam as lendas e inicia a realidade.
Muito mais que atração turística que faz a delícia dos estrangeiros em busca do “exótico”, o candomblé — originário do Golfo da Guiné e de Angola (as duas principais regiões africanas que forneceram escravos ao Brasil) — é uma forma religiosa ou antes de tudo um conjunto de preceitos, regras, ritos altamente sofisticados, cuja prática autêntica se dá apenas entre iniciados.
Foi, a partir do século XVI, que os navios abarrotados de africanos chegaram ao Brasil. Estes imigrantes involuntários de etnias variadas — jejes marrins, iorubás, angolas, congo, Ketu, etc) — têm uma metafísica muito antiga, anterior ao Egito dos faraós. Possuem em comum três características:
a) crença em um Deus único, criador e ordenador;
b) crença em um panteão de deuses administradores dessa criação desde o início do cosmos com tudo que existe até o homem com suas paixões;
c) crença em dois mundos distintos: o material visível e o espiritual;
Essas três características têm muito em comum com as mais diversas religiões e filosofias, diferenciando-se apenas as denominações. Assim, por exemplo, o panteão de orixás seria equivalente aos anjos da guarda da igreja católica , Santos, e aos espíritos de luz de outras religiões.
Nos cânticos e rituais de barracão do candomblé estão lendas e histórias referentes a entidades espirituais que regem cada pessoa. É interessante observar que, em qualquer casa de candomblé, os fundamentos se assemelham e os princípios básicos são os mesmos.
Nesses rituais, que se manifestam ao som de atabaques, ecoam-se os cânticos em homenagem aos diversos orixás, contam-se as histórias destes seres em sua vida terrestre, quando, em tempos remotos, eles administravam e preparavam as condições necessárias à vida humana no planeta. Nos cânticos aos orixás é traçada toda uma historia, repleta de detalhes sobre seus costumes e relacionamentos. Todos teriam uma descendência hierárquica do orixá primordial: Oxalá.
A função dos orixás, segundo os desígnios de Deus Pai todo poderoso, seria a de, depois da criação da terra, aperfeiçoar as condições que possibilitassem a existência de vida neste planeta (Babalorixá Gilson Souza Ferreira – Tira Teima - 1985). Dentre as incumbências destinadas a cada orixá, destacam-se o cuidado com as plantas (Ossãe), a água doce (Oxum), a água salgada (Iemanjá), a atmosfera (Oxumaré), as pedras (Xangô).
O objetivo principal da formação das casas de candomblé é ajudar aqueles que procuram orientação espiritual e solução para problemas de saúde. Essas casas (“terreiros”) são dirigidas por um membro ordenado no grau máximo da hierarquia, o chamado babalorixá (“Pai ou Mãe de Santo”).
Na consulta, feita através do jogo de búzios, o babalorixá entra em contato com os orixás e, dependendo do grau de mediunidade ou percepção extra-sensorial, passa a manter, com a entidade espiritual, uma espécie de diálogo a respeito do consulente.
Geralmente, a partir daí, as condições espirituais vão ser prioritariamente direcionadas ao campo da saúde, que é vista como uma integração orixá-humano, através do campo energético e a mente do indivíduo.
Em determinadas circunstâncias, a luz (energia) proveniente dos orixás pode estar deficiente, causando então dificuldades ao equilíbrio energético de mente-cérebro e corpo deste indivíduo.
Uma vez havendo essa deficiência de energia, entende-se que o indivíduo pode apresentar sintomas vagos e mal definidos assemelhando-se a distúrbios funcionais como falta de energia, desmotivação, diminuição da libido, tonteira, dores de cabeça e outras queixas físicas sem correlação patológica definida. Nos casos em que se percebe uma patologia clínica definida, geralmente os babalorixás encaminham o consulente a tratamento médico, estabelecendo-se, assim, uma convivência harmônica desse sistema de crenças afro-brasileiras com os tratamentos médicos em geral.
Nos casos de desenergização dos orixás, propõe-se que eles sejam reenergizados. Esse procedimento é popularmente conhecido como “dar comida ao Santo”, expressão muito usada nos meios do candomblé.. Na Bahia, no período em que lá estive, não era raro ouvir dos praticantes do candomblé que alguns médicos clínicos, quando não encontravam causas orgânicas ou psicogênicas para queixas vagas e mal definidas, diziam: “Você deve estar precisando dar comida ao seu santo”.
As formas como estes processos de reenergização são realizados constituem todo o fundamento do candomblé. A energia aí utilizada, também chamada de axé, se encontraria nos reinos mineral, vegetal e animal. Durante os ritos, agora não mais de salão, mas reservados aos iniciados, são oferecidas as essências energéticas, as quais serão metabolizadas e armazenadas pelos orixás, que, dessa forma, recuperam sua capacidade para atuarem como entidades protetoras. Uma vez realizados esses procedimentos, aqui descritos de forma muito sumária, o beneficiado pelos orixás passaria a desfrutar de boa saúde no que se refere ao aspecto energético-espiritual.
É importante frisar que as questões de saúde-doença implicadas no tratamento feito pelo candomblé se restringem exclusivamente às causas de origem energético-espiritual. A par disso, o candomblé desenvolve “sessões” de aconselhamento psico-espiritual, conhecidas como “Festas de Caboclo”.
O conceito de decréscimo de energia, que é o eixo central dos processos de adoecimento e cura específicos do candomblé – oriundo da cultura afro-brasileira – encontra homologia com o tratamento energético desenvolvido por outras culturas, conforme as tabelas abaixo podem demonstrar:
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Época |
Lugar/Pessoa |
Nome da Energia |
Propriedades Atribuídas a Ela |
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5000 a.C. |
Índia |
Prana |
A fonte básica de toda vida |
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3000 a.C. |
China |
Chí yin e yang |
Presente em toda matéria Constituída por 2 forças polares; equilíbrio de 2 forças polares = saúde |
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500 a.C. |
Grécia Pitágoras |
Energia vital |
Percebida como um corpo luminoso que geraria a cura |
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1200 |
Europa: Paracelso |
Iliaster |
Força vital e matéria vital; cura; trabalho espiritual |
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1800 |
Anton Mesmer |
Fluido magnético |
Poderia carregar objetos animados ou inanimados; hipnose; influência a distância |
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Wilhelm von Leibnitz |
Elementos Essenciais |
Centros de força contendo sua própria fonte de movimento |
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Wilhelm von Reichenbach |
força ódica |
Comparação com o campo magnético |
Observadores do Campo de Energia Humano no Século XX
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Data |
Pessoa |
Fato observado |
Propriedades encontradas |
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1911 |
Walker Kilner |
Aura Atmosfera humana |
Telas coloridas e filtros Usados para ver as 3 camadas da aura; correlação entre configuração da aura e doenças |
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1940 |
George De La Warr |
Emanações |
Desenvolveu instrumentos radiônicos para detectar a radiação de tecidos vivos; usados para diagnóstico e cura a distância |
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1930-5 |
Wihelm Reich |
Orgônio |
Desenvolveu um tipo de psicoterapia usando a energia do orgônio no corpo humano; estudo a energia na natureza e construiu instrumentos para detectar e acumular o orgônio |
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1930-60 |
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Campo da vida |
O campo da vida dirige a organização de um organismo; desenvolvida a idéia de ritmos circadianos |
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1950 |
L. J. Ravitz
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Campo do pensamento |
O campo do pensamento interfere no campo da vida, produzindo sintomas psicossomáticos |
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1970-89 |
Robert Becker |
Campo Eletromagnético |
Medidas diretas dos sistemas de controle de corrente no corpo humano; relacionou resultados com a saúde e com a doença; desenvolveu métodos para apressar o desenvolvimento dos ossos usando a corrente elétrica |
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1970-80s |
John Pierrakos, Richard Dobrin e Barbara Brennam |
CEH |
Observações clínicas relacionadas com reações emocionais; medidas tomadas em quarto escuro, relacionadas com a presença humana |
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1970`s |
David Frost Barbara Brennan e Karen Gestla |
CEH |
Curvatura de laser por CEH |
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1970-90 |
Hiroshi Motoyama |
Ch’i |
Medições elétricas de meridianos acupunturais; usadas para o tratamento e o diagnóstico de doenças |
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1970-90 |
Victor Inyushin |
Bioplasma |
CEH tem um bioplasma constituído de íons livres; quinto estado da matéria; equilíbrio entre íons positivos e negativos = saúde |
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1970-90 |
Valerie Hunt |
Biocampo |
A freqüência e a localização do biocampo em seres humanos são medidas eletronicamente; Resultados relacionados com os de pessoas que lêem aura |
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1970-90 |
Andria Puharich |
Campo intensificador da vida |
Os campos magnéticos alternados que aumentam a vida são medidos (8HZ) rm mãos de curadores; descobriu-se que as freqüências mais elevadas ou mais baixas são prejudiciais à vida |
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1980-90 |
Robert Beck |
Ondas de Schumann |
Relacionou pulsações magnéticas de curadores com o campo magnético da Terra, as ondas de Schumann |
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1980-90 |
Jonh Zimmerman |
Ondas cerebrais |
Mostrou que os cérebros dos curadores entram em sincronização Esquerda/direita em Alfa, como fazem os pacientes |
(BRENNAN, Bárbara. Luz Emergente. São Paulo: Cultrix, 1993, pág. 38, 39, 40)
Cabe a cada um de nós aprofundar estes estudos de acordo com seu interesse ou discernimento. Para os yorubás é o homem que, em sua constante evolução dialética, desenvolve em vida a sua mente pela magia do axé (energia) e recria na morte o eterno princípio. Estes identificam, no amor humano, o maior dos axés, o grande princípio criador.
Devido à grande inserção das vivências e simbolizações da cultura afro-brasileira, na cultura em geral, é de suma importância, para aqueles que estudam o psiquismo humano e com ele trabalham, o aprofundamento nos estudos referentes às manifestações espirituais da humanidade e suas implicações na saúde. Até mesmo o marxista Stalin postula essa integração que sustenta nossa filosofia acerca do psiquismo humano. Segundo ele, “Não somos apenas seres humanos em busca de experiência espiritual. Somos seres espirituais de passagem pela Terra.”
Ao final da década do cérebro, encontramos os avanços da neurobiologia, no que se refere aos marcadores biológicos e atuações específicas dos psicofarmacos nos receptores sinápticos.
Esperava-se que pelos estudos da neuroimagem pudéssemos chegar a uma causalidade para as principais doenças em psiquiatria, mas o que se vê, nos resultados destes estudos fica resumida apenas aqueles casos em que há uma patologia orgânica estrutural neurológica (A.V.C’s, Tumores e outras doenças neurológicas).
A neuropsicologia já não postula o funcionamento do cérebro a partir de regiões isoladas (localizacionismo) mas entende o funcionamento cerebral a partir de atividades integradas.
Portanto as questões que me fizeram buscar na psiquiatria um estudo para a compreensão e tratamento das doenças psíquicas (Psiquê-alma, espírito), continuam com respostas limitadas.
Penso que através das manifestações da cultura de nossa civilização podem estar os elementos complementares que precisamos para entender o ser humano como o todo que ele é, oportunizando o surgimento de dimensões únicas sem perder a base biológica em que estão inseridas e utilizando metodologia embasada em técnicas experimentadas e testadas.
Buscamos fundamentos técnicos que respaldem um atendimento novo, dentro de nossa tradição de ciência natural, que não seja inconsistente, mas pressuposto por um cálculo que nos dá retaguarda e nos autorize a ter assim uma práxis mais próxima dos nossos valores e da pessoa que somos. Pois querendo ou não as questões existenciais e espirituais fazem parte da cultura e sofrimento humano e não foram contempladas pela nossa ciência. Cabe a nós profissionais capacitados estarmos abertos a estes estudos, pesquisas e troca de experiências. E a psiquiatria que entende e valoriza o ser humano em seus aspectos étnicos e culturais pode ser um lugar privilegiado para o estudo destas questões.
Devemos evitar a produção de novas teorias sem o aporte de novas evidências, por outro lado, quem nunca for além dos fatos nunca terá nada nas mãos além de fatos.
Proponho uma união de esforços e recursos para apurarmos os valores contidos na cultura afro-brasileira e sua contribuição no avanço da medicina ocidental além das fronteiras tradicionais. E assim romper com a barreira que separa a ciência material da ciência espiritual, independente de crenças ou religiões.
Referências Bibliográficas:
AFLALO, Fred. Candomblé: uma visão de mundo. São Paulo: Ed. Mandarim 1996
ANCONA-LOPEZ, Marília. A Psicologia e Senso Religioso: Anais do Seminário Ribeirão Preto, 1997
ARAÚJO, Fernando César. Imagens Arquetípicas na Religião Africano-Brasileira. V Congresso Africano Brasileiro. Salvador: 1997
BRENNAN, Barbara. Luz Emergente. São Paulo: Ed. Cultrix, 1993
CAPRA, Fritjof. O Ponto de Mutação. São Paulo: Ed. Cultrix, 1982
DALGALARRONDO, Paulo. Civilização e Loucura. Ed. Lemos.
FERNANDEZ, Alonso. Fundamentos de la Psiquiatria Atual. Madri: Ed. Paz Montavo, 1979.
FERREIRA, Gilson. Tira Teima. (no prelo)
FERREIRA, Gilson. Artigos e Conferências (no prelo).
FRANKL, Viktor E. Psicoterapia e Sentido de Vida. São Paulo: Ed. Quadrante, 1989
HARMAN, Willis. Uma total Mudança de Mentalidade. São Paulo: Ed. Cultrix, 1989
LOUZÃ, Mário Rodrigues. Psiquiatria Básica. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 1995.
NATHAN, Tobie.Terapêuticas e Culturas. In: BARROS, José Flávio Pessoa de (org.). Rio de Janeiro: UERJ/INTERCON, 1998.